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Presentes da Universidade Brasil aos paulistanos: um espaço artístico e cultural, um painel, uma galeria e o resgate dos anos dourados da cidade de São Paulo

Data: 09/11/2017 | 0 Comentário


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    Na década de 1950, São Paulo já era uma grande metrópole e, em 1954, ao completar 400 anos, a cidade palco do Modernismo, da Revolução Industrial Brasileira e da Revolução Constitucionalista estava no auge das construções e das inaugurações de muitos equipamentos artísticos e culturais. Um dos marcos desses anos dourados paulistanos foi a construção e a inauguração, em 1955, do Edifício e Galeria Califórnia, projetado em 1951 pelos arquitetos Oscar Niemeyer e Carlos Lemos. Uma das principais características da Galeria Califórnia são os seus pilares em forma de V, marca de Niemeyer, idealizador de Brasília. Além do fato de ser uma obra arquitetônica de Niemeyer, a Galeria Califórnia até hoje é um importante equipamento artístico, pois nela há também um mosaico de Cândido Portinári com cerca de 250 metros quadrados, há os belos, embora mal conservados e ofuscados, jardins suspensos de autoria de Di Cavalcanti e lá funcionou o famoso Cine Barão. Ficaram, então, a Galeria, o Mosaico e os Jardins, mas não o Cine Barão.

     No subsolo da Galeria, inaugurado em 9 de março de 1962, até os anos de 1980, o Cine Barão era uma sala de cinema que exibira filmes como "Crepúsculo dos Deuses", clássico "noir" de Billy Wilder. Depois do filme, era comum atravessar a rua para ir à Confeitaria Vienense, onde vários escritores e artistas tomavam chá e conversavam. Ali era um ponto onde podiam ser vistos com frequência o poeta Mário de Andrade e a escritora Lygia Fagundes Teles. Também era comum ir à Livraria Francesa, vizinha do Cine Barão, que existe até hoje. Para não falir, a sala de filmes clássicos e de arte virou sala de filmes pornográficos, mas acabou falindo mesmo assim. Virou bingo, virou Igreja. Fechou de vez nos anos 1990.

     No saguão da Galeria, na parede direita de quem entra, há o painel abstrato de pastilhas vitrificadas em preto, vermelho e cinza de Portinári, que, naquele canto que ficou meio escuro com o fechamento do Cine Barão, pois que ninguém mais desceu a rampa de entrada do cinema, a maioria das pessoas que transita por ali nem imagina que se trata de uma obra de Portinári, mas sim que é “ apenas uma parede revestida de pastilhinhas”.

     No ano de 2011, a Galeria estava com ares de abandono e sua história memorável estava quase esquecida quando o Dr. José Fernando Pinto da Costa, empreendedor e Presidente de um grande Grupo de Instituições de Ensino Superior – a UNIESP – que havia adquirido o espaço em que funcionou o histórico e importante Cine Barão no ano anterior, decidiu restaurá-lo para transformá-lo num espaço para exposições, eventos, encontros e apresentações acadêmicas, científicas, artísticas, culturais, além de espetáculos teatrais, de música, de dança etc.

     Como ao lado da rampa de descida desse espaço estava o Painel Abstrato de Portinári – que até então era uma parede revestida de pastilhinha mesmo com a assinatura do artista na parte superior direita dele –, foi nesse momento que também se descobriu que aquele painel – um dos poucos de autoria do artista e o único abstrato -  não estava catalogado pelo Projeto Portinari, que havia identificado 6,3 mil trabalhos dele desde 1979. Mais do que nova obra no catálogo do artista, uma história desconhecida começou a ser revelada.

     Uma das mais importantes descobertas foi a que o projeto inicial contratado, que deveria ser figurativo e representando bandeirantes paulistas (“Epopeia das Bandeiras de Piratininga”) nunca foi executado. Alegando falta de tempo pelo excesso de outros trabalhos e já tendo recebido a metade do pagamento para a realização do painel figurativo, Portinári entregou a Carlos Lemos, arquiteto da Galeria Califórnia com Niemeyer, o desenho do projeto que foi de fato executado e que acabou sendo considerada uma obra excepcional dentro da carreira do artista tendo em vista sua aproximação com as formas geometrizadas: o Painel Abstrato feito de pastilhas vitrificadas, o Mosaico.

     Essa informação e muitas outras sobre essa obra podem ser encontradas no livro Viagem pela Carne (EDUSP, 2005), de Carlos Lemos, e nas publicações dos principais jornais de 2011, quando o Dr. Fernando Costa iniciou a restauração do espaço do antigo Cine Barão e, simultaneamente, foi o responsável pela redescoberta dessa sui generis obra do artista Cândido Portinári.

     O tempo passou e, em 2016, o Dr. Fernando Costa tornou-se também Reitor da Universidade Brasil (antiga Universidade Camilo Castelo Branco – UNICASTELO) e sua filha, a competente arquiteta Bárbara Izabela Costa, foi uma das responsáveis pela restauração do antigo Cine Barão juntamente com a equipe de Infraestrutura da Universidade: Luan Vitica Ventura, arquiteto (Projeto de Arquitetura); Rafaela Bonifácio Cardoso, engenheira (Gestão da Obra); José Aparecido dos Santos (Logística); e Daniela Carelli, arquiteta (Diretora de Infraestrutura) . Ressalta-se o cuidado no restauro com os mínimos detalhes, como a aquisição de poltronas idênticas às que existiam no Cine Barão, tornando o espaço do novo auditório uma réplica idêntica ao do antigo cinema de tal forma que se tem a impressão que o tempo não passou. O espaço externo ao auditório também ficou “um glamour” e pronto para receber um grande evento que servisse para sua inauguração.

     No dia 20 de outubro de 2017, inaugurando o novo espaço para eventos da Universidade Brasil, foi realizado o Encontro de Pós-Graduação e Iniciação Científica (EPGINIC), que ocorre anualmente para a disseminação da produção cientifica e tecnológica de discentes da Graduação e da Pós-Graduação da Universidade. Assim, a inauguração e o evento foram um sucesso!

     Com essa inauguração, o Dr. Fernando Costa mais uma vez cumpriu seu compromisso de grande promotor da revitalização do Centro de São Paulo, que realiza desde a aquisição da Faculdade Renascença, em 2005, quando mudou a paisagem da região do entorno do Largo do Café, lotando de estudantes os mesmos endereços que antes fechavam às 18 horas e ficavam desertos, escuros e perigosos, a implantação do projeto O Centro é uma Sala de Aula, até a aquisição e restauração do espaço que foi do Cine Barão, a inclusão no catálogo oficial de Portinári de sua obra Painel Abstrato tão especial, um novo espaço de eventos e uma nova casa de espetáculos e a entrega de um valioso presente aos paulistanos : a devolução de obras que representam um dos períodos de ouro da história da cidade de São Paulo.

Por Rosa Beloto.




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